O Zoólogo

          Embora seja muito conhecido como neurocientista, os insetos fizeram parte da vida de Angelo muito antes do primeiro cérebro. Conta ele que seu gosto pelas ciências foi despertado pelo professor catedrático da Faculdade de Medicina, Henrique Marques Lisboa, que gostava de visitar escolas para conversar sobre Biologia. Foi com ele o primeiro contato com a natureza, a mata e larvas de insetos, começando sua primeira coleção. Ainda um adolescente, Angelo também teve contato com o padre Francisco Pereira, colecionador de insetos. Padre Pereira foi um companheiro de expedições a Amazônia para coleta de espécimes, onde Angelo teve a oportunidade de conhecer também tribos indígenas, algo que sempre o marcou por toda a sua vida pessoal e de escritor. Com 16 anos, foi procurar por indicação de sua tia, Lúcia Machado de Almeida, o professor Newton Dias dos Santos para mostrar suas primeiras libélulas. O professor, um verdadeiro mestre, o desafiou a encontrar por ele mesmo os nomes científicos. Conta Angelo que se Newton tivesse dito a ele os nomes, até hoje ele teria cinco nomes. Como Newton era um mentor espetacular, Angelo colecionou libélulas pelo resto de sua vida. Esse exemplo influenciou sua vida de mentor, pois como mestre sempre procurou mostrar o caminho e não dar soluções prontas.

         

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          As libélulas, segundo Angelo, são os animais mais bonitos do mundo. Seu primeiro artigo cientifico foi com libélulas e quando estava ainda no primeiro ano da Faculdade de Medicina publicou a descrição de uma espécie nova. Sempre afirmou que cursar medicina foi uma escolha motivada pelo curso de história natural na época não ter uma boa formação. Dizia que hoje teria cursado ciências biológicas e feito sua vida, desde o início, na entomologia.

          Durante sua vida como neurocientista Angelo mantinha seriamente o hobby: sua coleção de libélulas. Em 1987, ao se aposentar como professor titular no Departamento de Morfologia da UFMG, decidiu dar uma guinada na carreira e prestar concurso no Departamento de Zoologia, se tornando professor de Entomologia pelo resto de sua vida. Assim, sua paixão se torna sua profissão. Em 2005, após a segunda aposentadoria compulsória, recebeu o título de professor emérito. Afirmava que o título era muito importante pois permitira a ele continuar lecionando sobre libélulas na UFMG, a qual dedicou toda sua vida.

          Em sua carreira, descreveu mais de 98 espécies e 11 gêneros novos desses insetos. Foi homenageado com seu nome em 56 espécies de animais. Sua coleção, a maior particular da América Latina, foi doada em vida ao acervo da UFMG. O impacto de suas contribuições para a área foi reconhecido a receber o título de biólogo honorário, em 2017, conferido pelo Conselho Federal de Biologia.  

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